Saramago e Caim: Humor Divino

Publicado a : 26-06-2014 | Por : ParaRir |

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«Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.»

É assim que começa Caim, o novo livro de José Saramago.  Naquilo que o autor considera como um simples recontar de uma história muito antiga (ou não se chamasse Velho Testamento ^_^), sob linguagem moderna, muita sátira e ironia à mistura … e pouca pontuação (como habitual!) Saramago acaba por nos tentar mostrar em Caim uma leitura literal da Biblia (como ela foi lida durante muitos séculos, diga-se de passagem) e como nesta se revelam muitos defeitos das suas principais personagens. Deus é uma delas e lendo a Bíb… ermm, digo, Caim, vai-se notando uma sucessão de episódios – muitos deles rocambolescos e de um humor notável – em que Deus não é de todo imparcial. Quase dá vontade de dizer que Ele é ruim como as cobras! Caim, claro, é uma das suas vítimas – deu cabo do irmão, lembram-se? – mas também o delator de uma série de caprichos de Deus que, se este fosse actor de telenovela, fariam qualquer velhota gritar para a televisão – não te cases com ele filha, que esse é má rês!

No que toca a religião, o humor pode ser uma coisa do demónio! Umberto Eco disse-o de uma forma bem explícita (e magistral) no seu eterno romance O Nome da Rosa. E aqui se prova novamente esse facto. O lançar deste livro por José Saramago levantou uma incrível polémica, tal como havia acontecido em O Evangelho segundo Jesus Cristo. A mais ínfima sugestão de que alguns pressupostos da religião podem ser ter o seu quê de ridículo é extremamente ofensivo (e reparem que aqui Saramago consegue ir contra os fundamentos logo de 3 – Católicos, Judeus e Islâmicos) e noutros tempos já levou à chamada “morte do artista”!

Agora, pelo menos, já se pode publicar humor sobre religião. Piada com graça ou blasfémia sem perdão, isso vai depender do leitor. Mas já se pode publicar! E isso, só por si, é um sinal positivo dos tempos, que o Para Rir aplaude!

Estatuto do Estudante

Publicado a : 01-06-2014 | Por : ParaRir |

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  • O estudante está sempre a estudar; se não está a estudar está a raciocinar.
  • O estudante não se deixa dormir; o despertador é que não toca.
  • O estudante nunca chega tarde; demora-se nos transportes.
  • O estudante nunca falta às aulas; não comparece por motivos de força maior.
  • O estudante nunca é posto fora da aula; é necessária a sua presença noutro local.
  • O estudante nunca diz mal do professor; faz uma observação com um objectivo construtivo salientando os seus defeitos.
  • O estudante nunca copia; recolhe dados.
  • O estudante nunca reprova; renova a sua experiência.
  • O estudante nunca se mete em problemas; os problemas é que vão ao seu encontro.
  • O estudante nunca destrói o material escolar; este, lentamente, é que se vai degradando devido à sua má qualidade.
  • O estudante nunca conspira contra o professor; o professor é que tem o complexo da conspiração.
  • O estudante nunca se porta mal na aula; o conceito de comportamento é que difere.
  • O estudante nunca mente; apresenta a verdade sob outro ponto de vista.
  • O estudante nunca falsifica uma assinatura; deixa descansar o seu encarregado de educação que vê nele um grande futuro.
  • O estudante nunca apalpa as colegas; estuda anatomia.
  • O estudante nunca engana o professor; demonstra-lhe a sua astúcia.
  • O estudante nunca faz ronha; o médico é que, devido à sua impreparação, não descobre a sua doença.
  • O estudante nunca bate nos colegas; demonstra a sua personalidade.
  • O estudante nunca fuma; investiga os efeitos nocivos do tabaco.
  • O estudante não lê revistas na aula; estuda-as.
  • O estudante sabe sempre a matéria; se não responde é para não inferiorizar o professor.
  • O estudante não bebe; saboreia.
  • O estudante não come; alimenta-se.
  • O estudante não dorme; medita.
  • O estudante não vive; sobrevive.

  Ler artigo completo…

Piada das Carnes!

Publicado a : 15-03-2014 | Por : ParaRir |

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Carne Cavalo Lasagne

Cuidado com o que comem por aí… ^_^’

A cor do horto gráfico

Publicado a : 12-03-2014 | Por : ParaRir |

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Partilhamos convosco a última actualização do dicionário de língua portuguesa!

Novas entradas:

  • Testículo: Texto pequeno
  • Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
  • Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
  • Biscoito: Fazer sexo duas vezes
  • Coitado: Pessoa vítima de coito
  • Padrão: Padre muito alto
  • Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
  • Democracia: Sistema de governo do inferno
  • Barracão: Proíbe a entrada de caninos
  • Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
  • Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
  • Detergente: Acto de prender seres humanos
  • Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
  • Conversão: Conversa prolongada
  • Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
  • Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
  • Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
  • Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
  • Tripulante: Especialista em salto triplo
  • Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
  • Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
  • Assaltante: Um ‘A’ que salta
  • Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
  • Detergente: Acto ou efeito de prender pessoas
  • Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
  • Barbicha: Bar frequentado por gays
  • Ortográfico: Horta feita com letras
  • Destilado: do lado contrário a esse
  • Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
  • Coordenada: Que não tem cor
  • Presidiário: Aquele que é preso diariamente
  • Ratificar: Tornar-se um rato
  • Violentamente: Viu com lentidão

 

Para além disso acresce as seguintes indicações:

 
Língua “Perteguesa”… PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um ‘prontus’! Fica sempre bem.

Númaro
Também com a vertente ‘númbaro’. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!

Pitaxio
Aperitivo da classe do ‘mindoím’.

Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina

Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de ‘a mim ninguém me come por parvo!… alevantei-me e fui-me embora!’.

Amandar
O acto de atirar com força: ‘O guarda-redes amandou a bola para bem longe’

Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.

Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.

Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.

É assim…
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.

Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.

Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.

Falastes, dissestes…
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES…

Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura… não predura.

Há-des
Verbo ‘haver’ na 2ª pessoa do singular: ‘Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia…’

Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante ‘Inclusivel’.


A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como ‘bué’ ou ‘maning’. Ex.: Atão mô, tudo bem?

Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer ‘Nha Mãe’ e é uma poupança extraordinária.

Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.

Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: ‘Sou perssunal de futebol’. Dica: deve ser articulada de forma rápida.

Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.

Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais… Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.

Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o ‘stander’ de automóveis. O ‘stander’ é um dos grandes clássicos do ‘português da cromagem’…

Tipo
Juntamente com o ‘É assim’, faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim.. tipo, tás a ver?

Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.

Humor Acordo Ortográfico

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